

Antônio Augusto de Araújo Lima [Neto] * 1900 + 1959
Casou-se a 15 de agosto de 1935, na Igreja do Carmo, Fortaleza, com Ana Esteany Soares de Araújo, filha de Miguel Orcel de Araújo Filho e de Umbelina Ormiza Soares, D. Bila.
Faleceu a 19 de novembro de 1959 e foi sepultado no Cemitério da Parangaba. Decorridos cinquenta anos da sua morte, preparo a genealogia comentada e a história da sua família para ser disponibilizada neste site.
Fco. Augusto de Araújo Lima, Tupancy, Eusébio, 19.11.2009
18.11.2009
Padre Fred Solon
03.11.2009
Francisco Gerardo de Souza
*1929 + 2006. No dia de hoje faria 80 anos.
Uma Homenagem do seu sobrinho, Fco. Augusto 03.11.2009
Francisco Gerardo Soares de Araújo, álibi Francisco Gerardo de Souza, nasceu na cidade da Fortaleza a 03 de novembro de 1929 onde faleceu a 18 de outubro de 2006. Filho legítimo de Miguel Orcel de Araújo Filho e de Umbelina Ormiza Soares, Dona Bila, casados a 28 de maio de 1914, na Igreja Matriz de Santana do Acaraú, Ceará.
Aconteceu de a sua tia materna Maria José Soares, álibi Zezinha Demétrio, casada com Jonas Demétrio de Souza, a 08 de janeiro de 1907, na Igreja Matriz de Santana do Acaraú, não engravidar. Ela a época [1915]com 26 anos de idade, querendo satisfazer ao seu marido, foi à cidade do Rio de Janeiro, em busca de auxílio médico na pessoa do Dr. T. R., para solucionar o problema. Foram três viagens a aquela cidade. O médico T. R. a operou e desta cirurgia ela ficou inutilizada para a reprodução humana. Falta de sorte, fatalidade, erro médico ou destino, o fato é que impossibilitada de gerar, procurou a sua única irmã para juntas encontrarem uma solução. Confidências femininas. Planos femininos. Astúcia feminina. Os assuntos se resolviam assim. Não houve um filho de encomenda. Os filhos da Dona Bila foram nascendo e sendo observados pelo casal que queria adotar. Ana Esteany, pela profunda ligação com seu pai Miguel Orcel Filho, nunca aceitou ser adotada. José Wilson, também não aceitou. Filomena, Milena idem. [Reproduzo o que ouvi muitas vezes e de mais de uma fonte]. Isso não era obstáculo para o excelente relacionamento dos sobrinhos com os tios, dos quais recebiam toda prova de afeição e carinho. O quinto filho de D. Bila [a primeira filha Maria da Conceição morreu com seis meses de idade], foi Francisco Gerardo. Aos três anos de idade, as conversas entre as irmãs acentuaram-se, havendo um acordo final, e a criança foi levada a casa dos pais adotivos.
Adotar do latim, ad-õoto, as, verbo transitivo, adotar, escolher, perfilhar, enxertar.
Para as pessoas que não participam de um processo de adoção - registre-se o ano, 1932/33 – tudo é fácil, mas na prática é difícil, traumatizante.
Em primeiro lugar para o adotado, que na sua inocência de três anos, nunca poderia avaliar a natureza irreversível e as conseqüências da aceitação da atitude tomada por ele e pelos adultos envolvidos na decisão.
Segundo, para os pais biológicos, a dor sentida pela separação, a dúvida se a atitude tomada foi correta ou não. Dona Bila na velhice arrependeu-se de ter dado seu filho. Mulher de personalidade forte, não conheceu a nova casa do filho na Av. da Abolição, 3049, onde havia sido preparado um apartamento para ela viver com a irmã. Em duas ocasiões pediu desculpas ao filho Francisco Gerardo, uma no último Natal vivido por sua neta Mary [dezembro de 1968] e a outra já próximo a sua morte [março de 1972]. Qual o real sentido deste pedido de desculpa? Meu tio Francisco Gerardo não deixou claro ou não entendeu bem ou ainda, manteve reserva, bem característico dele.
Uma coisa é certa: a adoção do menino foi decisão das irmãs, com o aval do Jonas e a aceitação do Orcel, é a leitura que eu faço. Outra versão é que foi uma imposição da tia Zezinha, no que eu não concordo, mesmo admitindo a hipótese da necessidade da criança, para salvar o seu casamento, mas sempre um acerto entre as irmãs e não imposição.
Miguel Orcel Filho sofreu uma sistemática não aceitação por parte da cunhada Zezinha, que devotava uma verdadeira aversão ao Pai biológico do seu filho adotivo. O que se passou na cabeça do Miguel Orcel Filho? Não sei responder o que ele pensou sobre a adoção. O seu papel no episódio deve ter sido de pouca monta, pois a tradição oral não guardou nada a respeito. Na sua infinita humildade talvez tenha aceitado a tudo, em nome da felicidade e paz da família, da amizade ao compadre Jonas, da Bila, sua mulher. Bom homem, meu avô materno e meu padrinho de batismo. Complicado conseguir entender a sua postura de resignação ante a rejeição a sua pessoa. Confesso não alcançar o porquê da passividade do meu avô, logo ele “o intelectual da família”, que de forma impressionante passou o seu gene a filhos e netos, notadamente a alvura da tez, a cor azul dos olhos, a humildade, a honestidade e a teimosia. Oportuno lembrar, caso assim, só o Sigmund Schlomo Freud, explica.
Ao recordar tais fatos, escrevo o que sinto: lamento pela tia Zezinha mulher dinâmica, moderna, cordial, dedicada à família, a quem eu tanto admirei – principalmente, através do fascínio que ela exercia sobre a minha Mãe Ana Esteany Soares de Araújo.
Ana Esteany, filha mais velha, deve ter sofrido o drama da incompatibilidade PAI x única TIA materna, - ambas pessoas da sua mais alta estima.
Em um exercício fantasioso, imaginemos a Tia Zezinha, mãe uterina de vários filhos, ou adotando filhos nas suas viagens ao Rio de Janeiro. Estes filhos criados na convivência dos primos, filhos da D. Bila. Como haveria de ter sido bem outra a história de vida dela e também na dimensão familiar e nos seus liames.
Terceiro, os irmãos do adotado, afetados em maior ou menor grau, mas todos afetados, chegando mesmo a não aceitação por parte de um dos irmãos.
Quarto, os pais adotivos, sofreram com a continuada apreensão no acompanhar o menor sob a sua tutela, no desejo de lhe passar carinho, amor e de educar. Não foi fácil também para eles. Na adoção, exercer o poder e a amizade paternal se torna até penoso, pelo sentimento de responsabilidade, pela obrigatoriedade que se lhes impõe. Nada flui de modo natural, tudo é pensado, medido, feito com muita prudência, de forma bem diferente do relacionamento de pais biológicos e seus filhos, onde na nossa cultura, tudo ocorria meio que na base da intuição, da improvisação.
Quinto, a família do pai adotivo, que de forma natural, se julgou preterida no processo e se afastou [temporariamente] do irmão, com exceções, é óbvio. Novamente reafirmo - o que escrevo é o testemunho de quanto ouvi desde criança sobre o fato. E ouvi sem querer - ou às vezes com curiosidade, - as versões de várias pessoas, inclusive do meu tio Francisco Gerardo. Se a tradição oral é falha, no presente estudo, além do acontecimento ser recente, [duas gerações] diversas pessoas foram ouvidas.
Junte-se a tudo o fato de Miguel Orcel Filho que fora rico está pobre e de Jonas Demétrio de Souza que fora pobre está rico. Admito ser essa a causa principal em qualquer adoção para a maior ou menor aceitação, - quanto mais igual for à situação sócio – econômica dos pais, melhor a aceitação. Agora repasse tudo isso na cabeça do Francisco Gerardo, dê umas sacudidelas e imagine uma conclusão....se possível.
Vale o registro de uma demorada conversa, no mês maio de 2007, com o Raimundo Edmilson Araújo, [*1921 + 2007], sobrinho materno de Miguel Orcel Filho, onde se ouviu a versão da família do Pai biológico do adotado e que muito esclareceu sobre este ramo familiar envolvido. Raimundo Edmilson Araújo enfatizou a amizade existente entre os concunhados Orcel Filho e Jonas, e a naturalidade com que a família Orcel de Araújo aceitou a adoção, sem algum comentário contra. Ouvir a família paterna foi importante, pois pelo próprio temperamento do Orcel Filho, existia uma lacuna sobre o assunto.
O filho adotivo, Francisco Gerardo sofreu pressões que afetaram o seu comportamento, o tornando retraído. Organizado, metódico, caligrafia bonita, levou uma infância e adolescência dedicada aos livros, aos esportes e aos pais. Estudioso e disciplinado. Foi sempre o primeiro lugar entre os alunos da sua turma. Curso primário, ginasial e científico no Colégio Cearense do Sagrado Coração de Jesus, dos Irmãos Maristas, na Av. Duque de Caxias, 101. Em seguida na Escola de Agronomia do Ceará, no Barro Vermelho, atual início do Bairro de Antônio Bezerra, onde aos 22 anos de idade, foi graduado com os concludentes do ano de 1951. Existia a tradição de convidar o primeiro lugar para ser professor. Assim por mérito próprio e muito jovem se fez professor assistente da Cadeira de Geologia, hoje Solos, da EAUFC.
Fui seu aluno na Escola de Agronomia, e com isenção, afirmo que foi um bom professor e que era estimado pelos seus discípulos e colegas de magistério. Na Geologia desenvolveu um meticuloso estudo de mineralogia, gemas, pedras preciosas e semipreciosas. Em viagem a Governador Valadares e Teófilo Otoni, MG, entrou em contato com os colegas mineiros do Instituto Brasileiro do Café, Engº Agr° Onofre Ferreira e Eng° Agr° José Edgar Pinto Paiva, que lhe facilitaram o acesso ao seu almejado sonho de adquirir essas valiosas pedras. Ao ir para a Espanha realizar Curso de Especialização, teve oportunidade de conhecer especialistas internacionais, em Amsterdã, Holanda, onde pode sentir o real valor da sua coleção.
A educação recebida foi rígida. Por um lado, os pais adotivos, agiam com uma exacerbada preocupação, em relação à criança que estava sob sua custódia. Ao exercerem a paternidade do menino, nunca deixaram de esquecer que na verdade ele era filho dos compadres Orcel e Bila, a quem se sentiam na obrigação moral de prestar conta, se algo ocorresse. Assim um simples banho de mar era negado, temiam afogamento, era perigoso. Há de se fazer justiça quanto à bondade dos tios Jonas e Zezinha e as suas preocupações, zelo e boa intenção. Ao tempo em que viveram [ele tio Jonas *1887 e +1953] a educação era assim mesmo, rígida, pontuada de severidade, controle e cobranças.
Pelas circunstâncias da vida [eu que era o último da linha sucessória - pater poder], fui designado em juízo tutor de uma sobrinha e sei o que é tomar decisão em relação a uma pessoa sobre o qual não possuímos 100% de domínio, pela existência do Pai biológico e pelo lado psicológico. Certa vez a sobrinha citada, teve uma crise de apêndice e o bom parente e médico Élson Demétrio Alves, diagnosticou a urgente necessidade de operá-la. Foi à decisão mais difícil que eu tomei na minha vida, apesar de confiar no parente e amigo médico e de reconhecer a urgência. Mas se algo saísse errado? Enfim tudo deu certo.
Mas é essa falta de segurança em relação aos tutorados e/ou adotados, [segurança que possuímos em excesso em relação aos filhos legítimos], que induz a cobranças e proibições.
Viajar nem pensar. Uma vez, Francisco Gerardo preparou a sua malinha e foi se despedir do Pai adotivo, pois ia com parentes ao Cariri cearense, Crato, onde morava sua irmã biológica Ana Esteany. A negação veio rápida. Triste mas resignado subiu para o seu quarto, no primeiro piso, da casa na Rua Sólon Pinheiro, 198, Praça do Coração de Jesus, Fortaleza, onde desfez a mala e o sonho.
Por ironia, Francisco Gerardo não conheceu o Cariri cearense, em várias ocasiões chegamos a combinar uma viagem que se não realizou por motivos vários.
Esta casa assobradada, o tio Jonas Demétrio de Souza havia adquirido a família Moreira da Rocha, que a edificara. Esta e outras casas foram compradas quando da sua rápida ascensão econômica, exercendo a função de engenheiro - prático do DNOCS, como se constata no livro de Tomás Pompeu Sobrinho, História das Secas, Século XX, Ed. A. Batista Fontenele, Fortaleza, 1953, p. 268 anexo 1,3,4,5, p.321 anexo1,2,4,5. 541 p.
O sobrado da Rua Sólon Pinheiro era mobiliado com bonitas peças e havia uma sala com poltronas cobertas de veludo, uma mesa com uma estatueta que fascinava os meus olhos de criança. Tudo muito zelado e controlado, mas passava um quê de casa triste, sem a força da alegria. E o pior, o horror, um relógio de parede, que a cada 15 minutos anunciava à hora, de modo ruidoso. Para completar, os sinos melosos da Igreja do Coração de Jesus, bem vizinho a casa, a barlavento, o som entrando de forma des-educada. Meu coração suburbano não acostumado a tudo isso, batia acelerado e na minha cabeça criou-se uma verdadeira ojeriza a relógio. De parede jamais, nunca concordei ter na minha casa. Anos e anos depois, reencontrei este “desinfeliz” relógio, na parede da casa - de - campo do Francisco Gerardo..... Mas ele gentilmente - era eu entrar na casa - mandava desligar o monstrengo. Será uma “herança” genética do meu bisavô José Leopércio Soares?
No mais o sobrado dos tios Jonas e Zezinha era um mundo a parte. Jamais abri a frigidaire [geladeira] e nem imaginei usar o osterizer [liquidificador] ou telefonar para o número 2368 na residência dos meus pais. Nunca explorei o seu "misterioso" quintal, nada frequentado. A criança, pré adolescente era um ente secundário, extraterrestre. Ouvir as conversas dos adultos já significava muito. Perguntar, uma ousadia. Ouvir tudo calado já estava ótimo.
O ritual das refeições, em horários rigorosos, sem essa de "hora de verão", todos sentados ao redor de uma mesa farta, bem posta e com traços de requinte. O queijo servido era envelhecido, duro para poder se fatiar na menor espessura possível, proporcionando uma melhor degustação e evidenciando fineza. Cobiçar repetir a sobremesa, dependia do olhar bondoso e sagaz da tia Zezinha. Se ela capta-se o interesse, falava: "meu cabra quer repetir não, coma você está na idade...". Era uma assumida anti dona de casa, não sabia nada de culinária e nem queria aprender, preferia dedicar o seu tempo a outras atividades.
Zezinha Demétrio foi quem descobriu que eu era ambidestro. Na hora foi um alívio saber que eu não era culpado. Ela teve a gentileza de informar e acabar a minha aflição. Ao usar garfo e faca, eu o faço de modo inverso do usual. Faca a mão esquerda e garfo a direita. Somente adulto soube a razão. Nasci canhoto, mas a superstição mandava amarrar a mão esquerda e forçar a criança usar a direita. Sacanagem. Daí a confusão.
A casa dos meus avôs maternos, na Av. João Pessoa, 3396, me fascinava mais que a dos tios- avós, embora também lá eu nunca tenha tido a liberdade que usufruía na casa dos meus pais. O maior desejo: conhecer os meandros da oficina do Vô Orcel Filho, onde em disciplinada confusão, ele mantinha as suas ferramentas de carpintaria, elétrica e mecânica. Nunca consegui... Sempre fechada a sete chaves.
A opção por Engenharia Agronômica também não foi do Francisco Gerardo. As faculdades existentes em Fortaleza eram poucas: Direito, Odontologia, Farmácia e Agronomia. Ele não deveria estudar em outro estado ou no exterior, cabia cuidar do pai adotivo cardíaco e da mãe. Agronomia estava de bom tamanho, pois havia as propriedades a cuidar no município de Santana do Acaraú, Ceará.
Ao graduar-se recebeu convite para estagiar no Instituto Agronômico de Campinas, São Paulo. Não foi. Prevalecia o compromisso com os pais adotivos. Posteriormente, foi igualmente convidado para um curso nos EUA, também não foi. A sua vocação, aptidão natural não foi consultada, e sim foi designado a cumprir aquilo que se julgava mais útil para o casal e para ele próprio. Desde criança foi submetido a treinamento para tocar as propriedades agrícolas, as quais visitava em companhia dos pais adotivos. No íntimo não era aquele o seu sonho. Herdou do seu pai Orcel, a tez branca, os olhos azuis, a humildade e a honestidade. Da sua Mãe Bila, a obstinação, a organização, a tendência à obesidade. Daí talvez não haver sido um bom cavaleiro, ao contrário detestava cavalgar, o fazendo por obrigação. Algumas das propriedades herdadas só eram alcançadas montando em cavalo.
Essas propriedades, carinhosamente conservadas pelo naturalista que ele era, foram desapropriadas pela União há mais de 20 anos. Processo tumultuado, anárquico, coisas do Brasil. O prêmio a quem preservou os recursos naturais foi assistir a furiosa degradação, a derrubada irresponsável da mata de plantas nativas e nem um centavo de indenização!
Jonas Demétrio de Souza sentiu dificuldade, insegurança, no aspecto jurídico da adoção do filho e medo de no futuro, alguém contestar. Quem contestar? Eis a questão. Contratou advogados renomados em algumas cidades, inclusive Rio de Janeiro. Registrou em cartório três ou mais adoções. No seu testamento destinou a Maria José Soares de Souza, a melhor parte da sua herança. De forma hábil, as propriedades mais ricas, as casas mais rentáveis e de alto índice de liquidez, foram destinadas a sua mulher. O raciocínio era pratico: em caso de impugnação da adoção restaria a salvo a metade boa da herança [na verdade mais da metade] e caso não ocorresse algum imprevisto, no curso normal da vida, Zezinha Demétrio, iria transferindo tais propriedades ao filho adotivo.
Para ser fiel ao relato dos fatos, sempre senti dois propósitos, decorrentes dos comentários acima escritos. Um, a não confiabilidade total na maturidade do herdeiro, o tempo diria se ele mereceria administrar todos os bens e o outro propósito, um medo mórbido [que custo admitir] de que alguém viesse a questionar em juízo, a legitimidade da adoção. Tudo me passa como exagero. Todas as pessoas da família Demétrio que eu conheci eram de excelente índole, cordiais, com uma característica marcante, de “coração enorme”. A preocupação [do tio Jonas] não tinha razão de ser, mas como meu compromisso é com a verdade faço o registro, até porque, isso influiu e muito no comportamento do Francisco Gerardo em relação às pessoas. Tudo que se lhe passava, contava, afirmava para ele, virava lei, e sempre disciplinado, com muito método, tocou a sua vida, seguindo com rígida obediência os ditames dos pais por adoção.
Na juventude presenciou a crise conjugal dos pais adotivos, fato normal na maioria dos lares desde que o mundo é mundo. Mas ele era filho único e adotado. Sofreu e se viu impotente ante a situação. Apelou para os vizinhos da Rua da Assunção, o Senhor Raimundo Alves e sua bondosa mulher D. Ana Elza Demétrio, sobrinha do tio Jonas, casal que foi verdadeiro bálsamo para as aflições do jovem - filho, e que contribuiu para o ajuste da situação.
Tornou-se uma pessoa seletiva nas amizades. Não em função da situação social ou econômica e sim no modo de pensar e agir. Seu maior amigo José de Melo Jaborandir - Jaburu - foi um moço inteligente, simples, afro descendente, que se tornou um militar graduado e seu grande companheiro em todas as fases da vida.
Tímido, super responsável faz lembrar o personagem do escritor Carlos Heitor Cony, “Fazendo parte do bloco - eu sozinho - sem partido político, sem qualquer tipo de ideologia, nem mais torcendo por qualquer time de futebol, tenho todos os direitos para me considerar um chato. Consigo a proeza de chatear petistas e tucanos, que me acusam de ser viúva de uns ou de outros...” Em suma, as pessoas que assumem em público uma posição, com atitude, rigor e transparência, são vistas mais facilmente como “chatas”, por serem verdadeiras. O ser humano curte ser enganado. A verdade incomoda.
O relacionamento com o seu Pai biológico além de respeitoso não foi de muita convivência. Uma vez ele tentava “armar uma rede” e não alcançava o armador, gancho, para pôr o punho da rede. O Pai Orcel vendo a aflição do filho, o ajudou e comentou: não se preocupe, viva a fase de não alcançar o armador que será a melhor da sua vida, no dia que você conseguir, [ter altura para tal], será adulto e a vida complicada. Nos idos de 1955, Miguel Orcel de Araújo Filho, encontrava-se enfermo vindo a falecer a 26 de dezembro do referido ano. Francisco Gerardo prestou toda a assistência, inclusive material e sempre visitava na Av. João Pessoa, 3396, ao Pai Orcel, como a ele se referia. Em dia e mês não lembrado do ano de 1955, a noite haveria uma festa - de aniversário de 15 anos, - de uma das duas meninas, filhas da Dona Helena Damasceno e do seu marido, o grego Sr. Filemon Leontisines ou Leontsinis, vizinhos dos meus avós maternos Orcel Filho e Bila. Os Leontsinis, moravam no elegante sobrado nº 3414, da referida Av. João Pessoa, fone número 5131.
O Francisco Gerardo vestido de modo impecável, antes de ir à festa, foi conversar com o Pai Orcel. Foi talvez a última alegria do meu avô. Ele ficou feliz em ver o filho todo “arrumado”, bonito rapaz, e comentou entre inocente e modesto: meu filho não precisava você ter essa preocupação, esse trabalho todo de se vestir assim para me visitar... O fato foi testemunhado pelo Senhor Roque Daxo Alencar, amigo íntimo do meu pai Antônio Augusto, e que aquela noite estava de “plantão” para acompanhar o ancião Orcel Filho de 74 anos.
Assistiu ao falecimento do seu Avô materno José Leopércio Soares, a 17 de abril de 1948, em Santana do Acaraú, bem como a sua Avó materna Maria Umbelina Soares, falecida em sua casa a 25 de janeiro de 1956. Ainda ao seu Pai adotivo Jonas Demétrio de Souza, falecido a 28 de novembro de 1953, a quem ministrou todos os remédios, inclusive os injetáveis, sendo cuidadoso e responsável como sempre. A sua Mãe Zezinha, falecida quase centenária, também em sua casa, a 28 de outubro de 1986.
Quanto a sua Mãe biológica, Bila, na sua morte, aconteceu um fato inusitado, nenhum dos filhos esteve presente ao sepultamento, por pura paranóia da maioria, que residia em Fortaleza. Acordei com um telefonema do Francisco Gerardo. Cinco e pouco da manhã, já estava na sua casa, onde ele comandou todas as ações, determinou até o Padre que rezaria a Santa Missa, um jovem Sacerdote de Santana do Acaraú. Todos os detalhes ele providenciou, ele era assim.
Amanhecia o dia, um sábado, eu com uma deplorável ressaca, acompanhei a minha tia Diva Telles de Souza e fomos ao Hospital Geral de Fortaleza, Papicu, do INSS, para liberar o corpo da minha Avó materna. No HGF tremi. Ali minha avó foi identificada pela nora e seguimos o carro fúnebre rumo à casa da minha Mãe onde se deu o velório. D. Bila morava em casa da sua filha Ana Esteany, na Av. João Pessoa, 5475. Ao falecer a 12 de março de 1972, foi assistida, como se escreveu, por sua nora Diva e seus netos José Augusto de Araújo Lima [seu afilhado], e Francisco Augusto, e no velório pelos demais netos cearenses e muitos outros familiares e amigos. Os filhos residentes na cidade [três] não compareceram, os outros dois ausentes da cidade de Fortaleza.
Foi inumada em túmulo que ela mandou edificar através do neto Francisco Augusto, no Cemitério da Parangaba, pois seu desejo era ser sepultada junto ao seu genro Antônio Augusto de Araújo Lima. O destino determinou que o primeiro sepultamento neste túmulo fosse de sua neta Mary Ann, falecida jovem a 15 de fevereiro de 1969, portanto, transcorridos exatos quarenta anos. Coincidência: as pessoas deste ramo familiar, todas faleceram em ano terminado em nove. O genro de D. Bila, Antônio Augusto de Araújo Lima, faleceu no ano de 1959; sua neta Mary no ano de 1969 e sua filha Ana Esteany, no ano de 2009.
Explica-se, pois, a razão do Francisco Gerardo haver tomado a decisão de não mais participar de funerais: atingiu o ponto de saturação, ficou “cansado” como se dizia, de tantos eventos fúnebres coordenados por ele. Na vida, nada acontece ao acaso.
Acredito que Francisco Gerardo assumiu desde jovem e nunca deixou de ser um santanense legitimo. Simples, detestava ostentação, desde o seu vestuário, carro, local de lazer. Até a sua casa, seu lar, a 3049, como ele chamava, [na Av. da Abolição] é um exemplo de não Nouveau riche. Casa cuidadosamente traçada em função das necessidades da sua família, discreta. A vida como ela é: esta casa, ele deu muito de si para construí-la e 40 anos depois lutou para a demolir e no local se erguer um prédio de apartamentos.
A casa - sede [NOVA] da fazenda Novo Olinda, é outro exemplo. Fugindo a todos os tradicionais padrões de segurança e clima, ele não a edificou em um alto. Detestava chamar a atenção. Este fato determinou duas inundações do Rio Acaraú na residência. Em uma o colega Antônio Furtado Macedo, Eng.° Agr° do Instituto Brasileiro do Café, na Meruoca, foi até a casa de canoa, para tomar alguma providência, salvar moveis, subir geladeira etc. pois a água entrou na casa e o Francisco Gerardo se encontrava na Espanha. Herdeiro da teimosia do Pai Orcel afirmava: isso aconteceu de forma anormal, daqui a 100 anos, não acontecerá de novo. Em poucos anos voltou a ocorrer. Neste episódio o meu tio e professor não seguiu ao conhecimento empírico e nem ao científico e sim a intuição orcelina, tão peculiar a todos nós.
No segundo semestre de 1997, estive com ele nesta casa, desde anos cercada de vândalos. Tudo abandonado. Péssima visão. Em pensamento relembrei os bons momentos ali vivenciados. Contraste. Quadros ao chão, fotos de crianças, brinquedos quebrados, peças de utilitário doméstico. Tudo relembrava que ali havia existido vida de pessoas normais e felizes. Na ocasião Francisco Gerardo surpreende, talvez vendo a minha cara de desânimo, reage forte e firme, embora desolado com o estado lastimável em que tudo se encontrava. Vem então à sugestão para vender a propriedade, o que ele terminou por fazer. Foi desfeito o último vínculo com Santana do Acaraú. Cortou o cordão umbilical da SANTANA tão presente em sua vida e tão querida, de lembranças boas e recordações péssimas. Restou somente à questão em Juízo, esfera Federal.
Anos antes esta mesma fazenda foi motivo de muita aflição para Francisco Gerardo. Anunciava-se um mega projeto de irrigação no Vale do Acaraú. A rotina era se usar as terras baixas, de baixio do rio, então o Novo Olinda forçosamente estaria incluído na desapropriação. Cioso de tudo que haviam lhe passado, ele relembrava que o tio Jonas dissera: nunca venda o Novo Olinda! E ele era um guardião implacável.
Nestes momentos de crise, a sua timidez era aguçada. Não tinha a menor idéia da bem - querência e amizade dos colegas em relação a sua pessoa. Se retraia. A solução nos foi dada pelo meu bondoso amigo e colega de turma Eng. Agr.° José Expedito Maia Holanda, seu ex-aluno e admirador, que nos emprestou um volumoso Projeto no qual dizia tudo a respeito do futuro imediato do Vale do Acaraú. O meu tio mandou xerocar o tal Projeto, ficou muito feliz - e custou acreditar - ao constatar que o Novo Olinda estava fora da desapropriação. A partir daquele evento, a ordem técnica era irrigar os terrenos de riba - rio, as terras altas, o que significa dizer a margem direita do Rio Acaraú. A Fazenda Novo Olinda, situado à margem esquerda ficou assim fora da desapropriação.
Ainda sobre questão de terra: eu estava fazendo o Curso de Planejamento Agrícola, em Recife, 1972, para ingressar na CEPA - Ceará, onde fui técnico fundador. Francisco Gerardo e eu fomos ao INCRA, na Av. Conselheiro Rosa e Silva, 950 - Jaqueira falar com um técnico da amizade, do Economista Manoel Felipe de Moraes Rego, amigo e colega de Curso de Planejamento Agrícola. Quando íamos entrando no casarão antigo, então sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, alguém de forma inadvertida joga do 1° andar, água quente e borra de café....que cai em cima de Francisco Gerardo, como em um alvo preciso e atingindo somente a ele, que estava no meio entre eu e o citado colega. Susto, pedido de desculpa. Hora de ação. Fui às pressas à Encruzilhada, onde comprei em uma Loja, uma camisa para o meu tio, pois a que ele vestia ficou inutilizada. Passado o impacto desagradável, pleito encaminhado, restava comemorar a noite, no Chão de Estrelas, em Boa Viagem.
A administração rural é difícil. A distribuição estratégica dos insumos [notadamente a água] e da mão-de-obra constitui o problema inicial. O estudo do mercado, a determinação da vocação da propriedade, para fim de escolha do quê produzir, é outra etapa. A conservação do solo, da flora e da fauna, em harmonia com uma exploração sustentável é o desejo de qualquer técnico. O Engº Agr° Francisco Gerardo tentou conduzir um moderno sistema pecuária bovina, onde mantinha um rigoroso controle de fichas indicativas da produtividade por rês. Inúmeras tentativas. Difícil fazer agro pecuária no Ceará.
Pelos idos de 1980, Francisco Gerardo idealizou o aproveitamento racional da madeira de essências nativas, através de uma serraria. Isso implicava em custos e problemas: aquisição de equipamento, do seu transporte, em se tratando de máquinas pesadas, sempre ocorre avaria no veículo condutor e a própria documentação para se efetuar o transporte de tais máquinas usadas, nota fiscal e licença do órgão ambiental etc. Com muito engenho e esforço, contornado o óbice, conseguiu levar de Fortaleza para a Fazenda Novo Olinda, as máquinas. Instalou mas não obteve o sucesso almejado e ainda sofreu um acidente, mutilando um dedo da mão, na tentativa de funcionamento. Enfim mais uma tentativa tecnicamente viável frustrada.
Lamento não haver lhe assistido no momento de vandalismo da invasão das suas propriedades. Encontrava-me ausente. Mas aí é outra história e seus filhos já se faziam adultos, lhes prestaram ajuda.
Ainda jovem, aos 34 anos de idade, [1963], frequentou o curso de Medicina Veterinária, da UECE, e já tinha os cabelos brancos, sendo chamado pelos colegas de Vovô. Somente depois, quando de sua ida a Espanha, para participar de Curso de Pós - Graduação, a pedido e sugestão do seu sobrinho José Augusto de Araújo Lima, se permitiu pintar os cabelos e rejuvenesceu. Graduou-se pela UECE, como Médico Veterinário, e nesta época viveu uma grande crise existencial, que no final da vida, deixava transparecer ter dúvidas na decisão tomada. Confidências aconteceram ao longo de nossas vidas. Na fase final fui procurado algumas vezes na minha Chácara Tupancy, Eusébio, para despedida. E em cada despedida lembranças e revelações, algumas de inegável confiança.
A sua ida a Espanha para participar de curso de pós - graduação patrocinada pela U.F.C. em duas oportunidades lhe foi de grande valia, não somente profissional, mas cultural, pois soube aproveitar a ocasião para viajar e aperfeiçoar-se. Um verdadeiro esquema quebra - cabeça era montado para que ele pudesse viajar tranqüilo. A tia Zezinha ficava em casa do seu sobrinho neto José Augusto de Araújo Lima, juntamente com seu filho Gerardo Júnior, que freqüentava o Colégio Militar. Na ocasião o primo José Cleanto Lima Dantas foi de uma gentileza ímpar, ao facilitar a entrada dos livros e encomendas por ele remetidos da Espanha, e cuidadosamente, recebidas pelo sobrinho José Augusto.
Um contato importante que ele teve na Espanha, um rico Senhor dono de um dos maiores agro negócios daquele país, se deu ao acaso. Este rico Senhor, vindo ao Brasil, viajou com Francisco Augusto de Araújo Lima, então Coordenador do GERCA, IBC, ao Planalto da Ibiapaba, por recomendação e a pedido do então Secretário de Agricultura e Abastecimento, José Valdir Pessoa, para conhecer a região e escolher uma área para futura instalação naquele ubérrimo Planalto. A sede do Grupo espanhol em Fortaleza era no Edifício General Tibúrcio, Rua São Paulo, onde fui uma tarde, vencendo a minha timidez, telefonar para o referido Senhor, comunicar da ida do Tio e Professor Universitário, e solicitar a sua prestimosa colaboração, no que fui atendido. A família do cidadão mantinha casa, carro, motorista, em Paris, Londres e outras cidades importantes. Faço o registro porque a memória é falha. Eu mesmo já nem recordo o nome da pessoa que foi tão gentil. Mas não sou louco para não lembrar detalhes, como do dia em que fui fazer o citado telefonema, em hora marcada, no escritório da Firma espanhola, em companhia do José Maria Mendes Martins, companheiro da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
A sua grande aspiração era construir nos terrenos e/ou casas herdadas. Como foi programado para ser o que seus pais adotivos determinaram - idealizou estabelecer também meta e profissão para os filhos, na sua concepção cada um tinha uma função especifica a desempenhar o que não aconteceu. A sua grande percepção de futuro, arrimada principalmente no encaminhamento e na participação conjunta dos filhos, cedo se evaporou. Constatou a inviabilidade dos seus projetos. Isolou-se na fazenda Novo Olinda, e vivenciou uma fase de excesso alimentar e etílico, que foi determinante para o seu futuro, inclusive e principalmente da sua saúde.
Neste período, desloquei-me de Fortaleza a Santana, para avisá-lo de um acidente ocorrido com um dos seus filhos. Dormi e ao amanhecer, criei coragem para relatar o fato e informar da seriedade da situação. Ele reagiu com estranha frialdade e determinou algumas medidas a serem tomadas e disse que não viria e se deixou ficar na lonjura do Novo Olinda, sem telefone, a cuidar das atividades pecuárias. Senti uma sensação de fracasso na missão que me fora incumbida, mas ao refletir, procurei entender o que se passava naquele momento com o meu tio. Ao final tudo terminou bem. Era como se ele tivesse uma capacidade superior de enxergar os fatos e eu somente muito após fui entender a sua postura.
Outro momento pungente vivenciado com o Francisco Gerardo: um diagnóstico rápido em Fortaleza sugeria que ele estava com grave problema pulmonar. A seu pedido fui a Sobral sacar uma quantia. Com sua autorização, procurei o parente colateral, funcionário do Banco do Brasil, Sr. Paulo Franklin Barbosa, para fazer uma vultosa retirada, - importância que não lembro e assim não posso transformar em real. Na época o modo mais prático era este. A urgência e a necessidade do dinheiro era tornar possível a sua ida com a Diva, a cidade do Rio de Janeiro, onde existia o melhor pneumologista do país. Meses de espera para ser atendido. A consulta imediata foi conseguida pelo saudoso e boníssimo primo Padre José Ítalo Augusto Coelho [*1924 +1991], mauritiense, por outorga Cidadão Honorário do Município do Rio de Janeiro. O Padre Ítalo, amigo do médico e que por telefone já me garantia o seu empenho e solução para o pronto atendimento. O Deputado Federal, Antônio Paes de Andrade, através da Margarida Telles Magalhães, cedeu seu apartamento. Todos solidários. Realizada a viagem ao RJ os parentes ficaram ansiosos, acompanhando o resultado dos exames. Em um domingo, ao chegar a minha casa, na Rua Pascoal de Castro Alves, Papicu, Fortaleza, vindo do sítio Bom Sucesso, Guaramiranga, Serra de Baturité, observei um movimento anormal. Lá conversavam: meu irmão José Augusto de Araújo Lima, minha mãe, Ana Esteany e outros parentes. Estavam a minha espera para se telefonar para o Rio de Janeiro, pois meu tio desejava falar comigo urgente. Ao telefonar fiquei ciente da razão.
Francisco Gerardo queria a minha presença no Rio de Janeiro, pois tudo indicava uma doença grave e eu deveria após a cirurgia e possível morte, trazer o seu corpo para o sepultamento em Fortaleza, ele não queria essa missão para sua mulher, Diva. O abalo foi intenso. Providências tomadas. Aguardar a confirmação. Noite insone. Na segunda - feira, todos a espera de uma mensagem, surge à notícia auspiciosa: nada de anormal, o choque térmico [Fortaleza, Ceará x Santa Maria, Rio Grande do Sul, em viagem que antecedeu a toda problemática] havia provocado o desenvolvimento de fungos, que mascarou o diagnóstico das radiografias e sugeria que mais de 70% do pulmão estava afetado de forma maligna. Alegria e comemoração.
A visão que eu tenho do meu tio materno Francisco Gerardo Soares de Araújo, álibi Francisco Gerardo de Souza, é de um homem bom, justo, com raro alcance de tudo que se passava no mundo. Não aceitava discussão de qualquer caráter, mas tolerava mansamente ouvir opiniões divergentes da sua. Sempre preocupado, até ao ajudar uma pessoa, ele se questionava se procedia do modo mais certo. Ajudar, no seu conceito, não era somente solucionar o problema que aquela pessoa vivenciava, e sim prepara-la para enfrentar os futuros obstáculos. Foi bom filho por índole e pela programação que lhe foi imposta. Retraído nas festividades, mas presente em todos os momentos difíceis vivenciados pela família.
Tímido, responsável em exagero, contracenava com os desembaraçados e sem compromissos, levando desvantagem e mor das vezes mal interpretado e incompreendido. Costumava dizer que se tinha a obrigação de aceitar as pessoas como elas são e não como nós queremos que elas sejam. Confesso que cumpri religiosamente o seu conselho e sempre o aceitei com seus defeitos e suas magnas virtudes. Arrependo-me de não haver cumprido na íntegra todos seus conselhos, pois quando não o fiz me dei mal.
Ao acaso relembro a sua influência: fiz-me torcedor do Fortaleza [graças a Deus] agradeço a ele, fomos ao antigo Presidente Vargas, eu garoto, ele já torcedor do Leão do Pici, assistir Fortaleza x Ceará e foi amor ao 1° jogo. O curso de Agronomia fiz por sua orientação e ajuda.
Aos 15 anos de idade, fui levado, à tarde, a Boate Zimbo, no Montese, Fortaleza, onde foi por ele pactuado com uma mulher de seios fartos, o meu desdonzelamento. Por curiosidade: [ZIMBO, s. m. do quimbundo nzimbu, em Zoolologia Molusco univalve, cuja concha corria outrora como moeda entre os congueses.]
Sem falso moralismo, na época o costume era este, e apesar da ansiedade no momento, lhe sou grato, pelo patrocínio da minha iniciação sexual. Seria capaz de escrever páginas, relatando tudo, o amplo espaço onde se inseria a casa, as mangueiras em volta, o cheiro da garota, o local a margem da Av. 14 de Julho, do centro para o sertão, à esquerda. As imoralidades praticadas. As pessoas no salão a espera do resultado, a expectativa da minha performance, a euforia ao ser anunciada a consumação do ato carnal... Tudo recordo e relataria, ... então é uma lembrança boa. Traumatizante é lembrar do relógio, tic-tac, tic-tac, e as badaladas?
Na praia de Iracema, ele solteiro, me encorajava a “ficar” com uma garota ... irmã da V... com quem ele tinha ou tivera um caso, por sua vez a V... filha de .... que a tia Zezinha me perdoe as inconfidências, [ela detestava essa V...] creio que se deve ter altivez e assumir sem hipocrisia as aventuras da juventude. Eu tão tímido, que surdo- mudo ganhava numa boa ....Nem vale dizer, imagina se não fosse tímido, porque na hora H os hormônios é que falavam mais alto... Resolvo parar. Mas existiram outros bons momentos. Recife que o diga, onde fui o seu cicerone.
O Natal mais triste de nossas vidas, o do ano de 1968 - véspera da morte da Mary Ann, minha única irmã, conhecedores da gravidade da doença, tinhámos de nos manter alegres no seu último Natal. Deixou uma marca profunda. Passamos anos sem festa natalina. Ele mandava fazer uma fogueira enorme no pátio da casa - antiga da fazenda Novo Olinda, e na nossa cabeça era SÃO JOÃO, bebida, bolos, música tudo junino....em pleno final do mês de dezembro. O ser humano e suas reações. E foi assim que se rompeu José Augusto de Araújo Lima, Francisco Gerardo e eu, o trauma do natal de 1968. Até que alguém se lembrou das crianças, nossos filhos e aos poucos se retornou a rotina natalina.
Os livros: sempre me presenteou desde garoto, com livros, tipo Robson Crusoé um outro livro que retribui passando as mãos da Raquel, sua neta. Viagem Involuntária a Sibéria, este para remover as idéias “esquerdistas”, da minha cabeça, até livros técnicos, como Botânica Sistematica, Alarich R. Schultz, Ed. Globo, RJ, 1960, 579 páginas, p.ex. Sutilmente me induziu a escrever, e isso desde a minha adolescência. Ele tinha umas visões premonitórias, e dissertava sobre o futuro da cidade da Fortaleza e passou muito segurança para mim [foi o único a ler os meus juvenis sonetos, ainda hoje guardados a sete MIL chaves]. Motivou e me fez aprender informática, a comprar um micro computador, sem o que, eu ainda estaria em uma máquina - de - escrever. Em todas as fases da vida, existiu uma preocupação mútua, em grande parte dos momentos ele me ouvia em outros eu é que era o confidente e a arriscar “aconselhar”.
Ainda no seu namoro com a Diva, eu compartilhava das aflições decorrentes dos impasses normais de começo de namoro. Os encontros “clandestinos”, escondidos da D. Acy, que Deus a tenha, realizados no Benfica, em casa da minha avó. D. Bila, rendeira de primeiríssima ordem, mantinha rigorosa vigilância logo ela conhecedora da origem Firmino¬ da sua prole. ¬ Firmino, = ascendentes da D. Bila, como fama de mulherengos.
O Vitor Barroso, amigo - funcionário, bom moço que se ligou muito ao meu tio, no dia da sua morte comentou o quanto havia de confiança da parte dele em relação a minha pessoa e a minha opinião. A vida apesar de efêmera nos permite tempo para tudo, até para retribuir o que se recebeu ofertado com tanta bondade.
O Francisco Gerardo foi um misto de tio, de irmão mais velho, de segundo pai para mim. A morte precoce do meu pai [1907 / 1959], fez a minha mãe viúva aos 43 anos. Ela sentiu dificuldades em tocar a educação dos dois filhos homens. Então ele passou a ser um conselheiro, confidente, orientador profissional, uma figura.
Em uma tarde quente sai com minha mãe, em busca de uma casa pequena para alugar. Enfim meu pai havia morrido, meu irmão estudava no Rio de Janeiro e minha irmã estava casada, somente eu e ela naquele casarão, na Av. João Pessoa era um desperdício. Espia daqui olha dali, minha mãe ficou “maravilhada” com uma casinha do lado do sol, lá para as bandas da Rua Sargento Hermínio, proximidades da então Fábrica de Alumínio Ironte. Eu triste, confesso. Desolado com a iminente mudança do meu ambiente de tanto tempo. À noite recebo um telefonema do meu tio Francisco Gerardo. Informado dos planos da minha mãe, discorda e afirma que no outro dia estaria lá na Avenida João Pessoa 5521, onde morávamos. Cedo da manhã comenta... “isso da Teté ir para a Sargento Hermínio é loucura”!.... E já começou a marcar no nosso terreno, vizinho a casa grande, o local onde iria edificar a outra casa, de menor tamanho, a de n° 5475, na mesma Avenida, mais ao Norte, onde passamos a morar.
Essa solução partiu dele, idéia dele, planta dele, enfim preocupação e solução gerardiana, minha mãe pagaria a casa pequena com o aluguel da casa grande. E assim foi feito.
Na doença e morte do meu Pai, quase todos os encargos foram assumidos por ele, e eu ainda de menor idade, assinava cheques, realizava os pagamentos, prestava conta com ele. O seguro de vida de Antônio Augusto de Araújo Lima honrou nossa dívida para com o Francisco Gerardo e para com o tio Euclides Leite Xavier, mas não pagou a gratidão pela ajuda em momento tão delicado. Gratidão se guarda para sempre.
No sepultamento do meu pai, eu inconsolável, recebi atenção especial da Diva, que sempre funcionou, mais como irmã, do que tia. Pelo braço, me pegou e ficou ao meu lado, desde a saída do féretro da nossa casa, para o Cemitério da Parangaba, até o retorno ao lar. Alem da espontânea bondade da tia havia algum pedido do meu tio, pois ele era atento a todos os detalhes de solidariedade. São momentos assim que ficam gravados. No dia 20 de novembro de 2009, são decorridos 50 anos deste evento e não há com esquecê-lo. Relembramos este episódio, a Diva e eu, no velório do Francisco Gerardo, em um instante raro de calma, ocasião em que unimos a nossa dor pela perda do ente tão querido.
Agradeço ao Poder Superior ter me concedido, quando das suas vindas ao Tupancy, Eusébio, onde moro, a oportunidade de verbalizar o que sentia por ele, o meu amor filial. Cada visita era como se fosse uma despedida, pois ele e eu éramos conscientes da gravidade do seu estado. Não o visitei em sua residência. Respeitávamos-nos e as nossas idiossincrasias. O doente era quem me visitava. Creio que ele não queria que eu o visse nas fases piores da doença.
Ele foi a primeira pessoa a ler o meu trabalho Famílias Cearenses 3 - Sobral, Iraque - estudo de mais de 100 gerações acima de minha Mãe, a ascendência remota da família, Soares e Araújo. Ainda em forma de “boneco”, eu o presenteei. Em toda a minha vida, com quase sessenta trabalhos editados, eu nunca ofereci, dediquei livro meu. Mesmo consciente do seu estado de saúde e ainda sendo um tratado genealógico que cuida da ascendência da minha Mãe e de seus irmãos, portanto dele, não era do meu feitio fazer dedicação a ele. Seria mau presságio, diferente do meu proceder, e ele também não se sentiria confortável com tal oferecimento. Escrevo isso apenas para que se possa aquilatar o nosso relacionamento, calcado no mais profundo respeito e sinceridade.
Por razão de justiça, mesmo constrangido relacionei fatos, dolorosos uns, outros ainda hoje de difícil assimilação, na tentativa de captar a vera efígie do meu tio Francisco Gerardo e do mundo que o cercou. A minha intenção foi a de louvar a sua pessoa, levar a quem ler raciocinar comigo para poder entendê-lo no seu universo.
Chorei muito a sua perda e chorarei por boas lembranças. Sou muito frágil ante a morte. Mas no seu velório e sepultamento, onde se seguiu a melhor tradição, com a participação dos familiares, eu enfrentei tudo com uma coragem que só a fé explica. O vi na urna funerária, inerte, o semblante de paz, seu rosto denotava felicidade. Ajudei a fechar a o caixão e a conduzi-lo até o local do sepultamento. Assisti comovido, corroído de dor, olhar atento e responsável de sobrinho que muito lhe admirava, aos detalhes do emparedamento, momento triste em que se fecha o jazigo com argamassa e tijolos, e depois areia, muita areia. O jazigo [da família Demétrio], Cemitério de São João Batista. Cena fixada a ferro e fogo, de difícil esquecimento. Fim de um ciclo.
Deixou viúva, filhas, filhos, netas, netos e bisnetos.
[Ver Fco. Augusto, Soares e Araújos no Vale do Acaraú, Ed. Carvalho, Fortaleza, 1989, p.103 / 115 e 2ª Ed. Fortaleza, 2008, p.117. e Fco. Augusto, Famílias Cearense 3 – Sobral, Iraque, Ed. Artes Digitais, Fortaleza, 2006, p. 14, 495 e 560].
Fortaleza, 03.11.2009, dia em que completaria 80 anos de idade, uma homenagem.
Peço a ajuda de quem se interessar em acrescer e/ou corrigir anotação porventura feita de forma errada. Fco. Augusto.
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A tradição da Adoção no Ceará
Na Província do Ceará, no século XVIII, a adoção de filhos, se efetuava, na maioria das vezes, por meio de filhos expostos, em casa de parentes e/ou pais adotivos. Acontecia de uma mulher da família não se habilitar à maternidade, apelava para uma irmã ter um filho de encomenda, ou recebia filho nascido de uma gravidez indesejada, de mãe solteira, que era EXPOSTO em sua casa. A simples cerimônia religiosa do batismo, já era suficiente para “legitimar” o filho adotivo, pois no termo de batismo, se escrevia, - filho exposto em casa de... filho de pais incógnitos etc.- e a partir daí, era filho para todos os efeitos, notadamente se único. Não havia registro civil.
Ocorria que uma Senhora não concebia. Apelava para uma sua irmã “mulher parideira” e esta engravidava um filho de “encomenda” para aquela que não o tinha. Pela cultura da época era mais fácil uma irmã falar, confidenciar, com a outra irmã, ambas mulheres, ambas íntimas, ambas solidárias e com confiança uma na outra, inclusive e principalmente de que o filho “DADO, ofertado, doado” teria uma mãe e não uma madrasta. Importante ainda a certeza da origem genética, o acompanhamento da gravidez, tudo se assemelhava a um filho “verdadeiro” da mãe adotiva. A preferência era de adotar um “menino - macho”. Com variações essa prática de adoção perdurou até as últimas décadas do século XIX. Enquanto as mulheres acertavam o nascimento do filho, os homens normalmente se davam bem e exerciam pouca influência na decisão da escolha, a não ser quanto ao sexo, cuja preferência era a masculina para dar continuidade, ser o herdeiro. Posteriormente o pai adotivo exercia um poder de ditador na formação do filho adotivo. Era comum a mãe adotiva ter verdadeira aversão ao pai biológico, por razão perceptível.
Problemas: quando existia diferença na situação econômica entre os pais biológicos e os pais adotivos, isso repercutia na educação e na participação social, dos filhos que receberiam educação diferente do adotado. Assim a tendência era o distanciamento do filho adotado dos demais irmãos e mesmo um certo desejo de esquecer a sua origem.
A criança adotada, em um primeiro momento podia ser vista como premiada ou sacrificada. Em qualquer hipótese conduzia um enorme fardo, por essa decisão tomada por outros [adultos com interesses até conflitantes], sem limite de idade da criança, prevalecendo três anos, às vezes recém nascida. Injustamente olhado com certa indiferença, por renegar os pais biológicos, o adotado via recair sobre ele uma sobrecarga de responsabilidades, pois seria o herdeiro dos amigos e dos inimigos, das coisas boas e más e seria o amparo na velhice dos pais adotivos.
Na maioria dos casos, mesmo existindo diferença sócio – econômica entre os filhos [adotado x biológicos], já inexiste [esta diferença] entre os netos, havendo mesmo exemplo de inversão, o pai pobre assistindo ao crescimento, a ascensão e supremacia dos descendentes de um filho em relação aos demais familiares, inclusive do adotado. Tudo efêmero e sem lógica, pois a mobilidade social com ascensão se observa mais naqueles criados com maior investimento na sua educação. Inegável a diferença de alguém que estudou no Sudeste em relação a quem estudou no Nordeste p. ex.
A complexidade da adoção nas primeiras décadas do século XX. Estudo ao acaso de seis adoções [todos filhos únicos] no Estado do Ceará.
| 1. Adoção de um menino, da família Furtado de Lacerda, sobrinho materno da mãe-adotiva, em Milagres, Cariri cearense, filho do D. L. F. e de P. F. L. [Famílias Cearenses 1 – p. 179 e 188], o herdeiro, não conduziu corretamente a herança recebida, havendo uma acentuada decadência nos seus descendentes. |
| 2. Quatro adoções na Serra de Baturité: |
| - Adoção de um menino, sobrinho materno da mãe adotiva, que já tinha uma filha e herdeira, mas queria ter um filho “menino – macho”. Nesse caso, o relacionamento do filho adotivo, com os demais familiares, foi normal, sem trauma e com muita amizade. Os pais do filho adotado eram do mesmo patamar sócio - econômico dos pais adotivos; (Linhares). |
| - Adoção de um menino sobrinho materno da mãe adotiva, cujos pais eram pobres em recursos materiais, em relação aos pais adotivos, que eram ricos. Houve desajuste e afastamento do adotado dos seus irmãos. Comportamento anti - social do filho adotado, alcoolismo e perda de bens. |
| - Adoção de um menino sobrinho materno da mãe adotiva, também filho biológico de pais mais pobres. Problemático quanto à condução dos bens (praticamente se desfez da herança recebida) e comportamental. |
| - Adoção de um filho Exposto em casa de um rico casal sem filhos e depois de ponderações e de se saber a sua origem, através do bilhete deixado com a criança, (cidade vizinha) foi adotado. Ainda é jovem. Traços de comportamento atípico. |
| 3. Vale do Acaraú, adoção de um menino sobrinho materno da mãe adotiva. O que demonstra não ser raro a adoção inter - familiar, e quase sempre matrilinear. |
Mesmo com a ascensão social e econômica, não se pode afirmar, que o adotado seja feliz. Admite-se que na maioria das vezes, não seja.
Implicações familiares:
- Filho adotado versus família do pai adotivo.
- Adotado versus drama de consciência da mãe biológica e dos outros filhos, sentimento de perda de um filho e igual sentimento por parte dos irmãos em relação ao irmão adotado.
- Inevitáveis comparações entre os não adotados e a situação do filho adotivo.
- O preconceito social em relação ao filho adotivo.
Em resumo, adotar uma criança no final da segunda / início da terceira década do século XX, não era fácil para nenhuma das partes envolvidas, com repercussão duradoura, em alguns casos persistindo até a morte a amargura e a desaprovação.
A complexidade da adoção de um filho no período mencionado era grande. Até o mecanismo jurídico era inseguro. A maioria dos filhos adotados, nos casos estudados, afundou em crise emocional e existencial. Os heróis que sobreviveram, mesmo com seqüelas merecem destaque! Observar que apesar do machismo, os filhos adotivos sempre eram sobrinhos maternos, escolha da mãe biológica e adotiva, a carga genética feminina.
A genealogia das famílias do Ceará (freguesia de Russas, Jaguaribe) e do Rio Grande do Norte, em face de novos documentos pesquisados e anotados no segundo semestre de 2007, sofre profundas alterações e ainda a própria história do Ceará, com destaque para Fortaleza, Aracati e ribeira do Jaguaribe.
- Encontrou-se uma explicação documentada para os núcleos brancos no litoral cearense e para a pequena participação holandesa na nossa origem.
Entre outras famílias encontradas:
- Gracisman, Grascimão, Gartsman, Gartzman, Garstman van Werwe, Lostau Navarro - desfazendo um nó górdio que persistiu durante mais de cem anos. Existem dados que permitem um re-estudo da história de Aracati.
- Raposo Arruda e Arruda Câmara;
- Diógenes, assento de batismo de DEOGENES, batizado em 1698 no RN e que adulto veria a ser o Manoel Diógenes Paes Botão c.c. Antônia da Rocha Tavares, tronco desta importante família DIÓGENES da ribeira do Jaguaribe.
- Ferreira da Ponte, de Sobral, batizado de filhos do Cel. Gonçalo Ferreira da Ponte e da sua 1ª mulher Maria de Barros Coutinho, no Rio Grande do Norte, filhos até então desconhecidos.
- Famílias Frota e Queiroz também encontrou-se termos de batismo dos pioneiros.
Esta página é fruto de uma ação voluntária de pessoas dedicadas a Genealogia. Contribua com o desenvolvimento desta apaixonante ciência usando este espaço para divulgar suas pesquisas, sugestões e críticas.
Famílias Cearenses 0
Soares e Araújos no Vale do Acaraú (2a. ed)
Os SOARES do Vale do Acaraú descendem do Ten.-Cel. João Soares de Vasconcelos e de sua mulher D. Faustina Pereira da Cunha. Os ARAÚJOS descendem de Pedro de Araújo Costa e de sua mulher Maria de Sá, naturais de Barcelos, Portugal, pais de três filhos que emigraram para a Ribeira do Acaraú.
Conhecida a origem, tratou-se de estudar - nos capítulos posteriores - a evolução das ligações dos SOARES e ARAÚJOS com as várias famílias do Norte do Ceará.
“Famílias Cearenses” 1 é um estudo genealógico abrangendo o período de 1711 aos dias atuais, tendo como fonte os Livros Eclesiais da Igreja Católica.
A obra é o resultado do estudo genealógico de 22 famílias, de origem lusa, na sua maioria, procedentes de Recife ou Salvador, através de antigas trilhas indígenas que cortavam o sertão nordestino. O cenário dessa história vai da Vila do Porto das Barcas do Aracati à Vila dos Milagres, seguindo a Ribeira do Jaguaribe e seus afluentes.
Famílias Cearenses 2
Bessa e Maia
O desejo de se publicar o resultado da pesquisa sobre as famílias Bessa e Maia vem principalmente da preocupação de salvar os dados setecentistas.
A grande valia dos livros eclesiais da Igreja Católica Apostólica Romana é permitir a reconstituição das famílias, dos topônimos, de usos e costumes no estilo da época.
Ao salvar estas informações e levá-las a público se acredita despertar nas pessoas, notadamente nos jovens, o interesse pelo seu estudo, e incentivar pesquisas na genealogia cearense.
Famílias Cearenses 3
Sobral, Iraque
Um trabalho realizado em dois momentos. Primeiro se realizam pesquisas no Ceará, principalmente na ribeira do Acaraú, em Livros Eclesiais, e em outras fontes inclusive trabalho do autor, de 1989, Soares e Araújos no Vale do Acaraú. Nesta fase se pesquisou e encontrou os pais, avós, bisavós, trisavós, tetravós, pentavós e todos os 64 casais hexavós de Ana Esteany Soares de Araújo, e faltando 25 para se ter todos os 128 casais heptavós. Formado este numeroso grupo familiar se partiu para a busca dos ascendentes mais remotos. Neste segundo momento, usou-se a fonte secundaria tradicional e a fonte informatizada, destaque para os preciosos dados conseguidos junto a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons).
Famílias Cearenses 4
Freguesias do Icó e Russas (séc. XVIII)
Os recursos de informática utilizados (softwares e hardwares) na Genealogia moderna permitiram uma grande comodidade na ordenação dos dados e um maior grau de confiabilidade. Por exemplo: o recurso de localizar (ctrl+l) é de grande utilidade para ágil obtenção da informação procurada. Os programas genealógicos (BK5, PAF etc.) representaram uma verdadeira revolução na elaboração dos relatórios finais das pesquisas.
Mesmo assim a intervenção do ser humano se faz necessária. A criação de um índice de nomes possibilita de forma rápida a localização da pessoa na família desejada, onde encontrar (fonte: primária ou secundária), a determinação do grau de parentesco e o link com outras famílias.
Famílias Cearenses 5
Original Índice da Cronologia Sobralense
No ano de 1992, na fazenda D’Zu (do Kariri = água), Itapipoca, Ceará, elaborou-se um índice onomástico e remissivo, manuscrito, usado por vários genealogistas e óbvio, do conhecimento do parente e amigo Padre Francisco Sadoc de Araújo.
A iniciativa de fazer o índice da importante obra se deveu a facilitar a consulta dos interessados em genealogia e por nos julgar conhecedor dos cinco volumes da Cronologia Sobralense, inclusive dos inevitáveis erros de impressão.
Famílias Cearenses 6
Anotações Genealógicas
Esse trabalho tem como fonte os livros eclesiais das freguesias de Russas e do Aracati - Bispado de Limoeiro do Norte, da freguesia do Icó - Bispado de Iguatu, e termos das freguesias de Fortaleza, São José do Ribamar do Ceará Grande, Santo Antônio do Quixeramobim, de Nossa Senhora da Paz de Arneiroz e de N. Sra. do Carmo dos Inhamuns.
Por se tratar de um extenso banco de dados é inevitável o uso de abreviaturas.
Realizada a seleção das informações que se julgou essencial para a pesquisa genealógica apresentou-se o resultado em ordem alfabética.
O desejo é oferecer um rol de nomes para facilitar a busca do ancestral - com locais e datas de batizados e casamentos, coligidos nos Livros Eclesiais. Caso deseje mais informações sobre a família estudada, entre em contato com
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onde será assistido com prazer.
Objetiva-se repassar o resultado das pesquisas de forma gratuita, e ao divulgar estes dados, motivar as pessoas a fazerem suas árvores de família, contribuindo assim para o maior desenvolvimento da genealogia no Ceará. A esperança é acontecer a multiplicação das informações através das consultas, levando a interação e à introdução de outras notícias com o surgimento dos acréscimos necessários, retirados do baú-de-dados da pessoa interessada.
Famílias Cearenses 7
Ipueiras dos Targinos
Esse livro é fruto da reunião de 36 estudos grupos familiares disponibilizados no site Famílias Cearenses no ano de 2006.
Analisa famílias do Vale do Jaguaribe, do Cariri Cearense e do Vale do Acaraú, sempre tendo como fonte os dados coligidos nos livros eclesiais da Igreja Católica.
Famílias Cearenses 8
Genealogia da Ribeira do Jaguaribe
Faz o registro em ordem alfabética, dos termos de pessoas naturais ou que viveram nas freguesias de N. Sra. da Paz de Arneiroz, N. Sra. do Carmo dos Inhamuns, N. Sra. da Expectação do Icó e N. Sra. do Rosário de Russas, acompanhando o Rio Jaguaribe da sua nascente, na Serra do Calumbi/Pipocas/Joaninha/Inhamuns, até a sua foz no município de Aracati. Ao dar continuidade ao trabalho, e fechar o século XVIII, se permitirá ao interessado realizar pesquisas de ascendentes em várias freguesias ao mesmo tempo.
Famílias Cearenses 9
Inhamuns, Icó e Russas
O décimo trabalho de pesquisa genealógica segue a moda antiga, os caminhos da beira dos rios. Às suas margens se situavam as famílias, e aonde os padres iam em desobriga casar quem estava amigado, amancebado. Batizar os inocentes ainda sem designação, "libertando-os do pecado, regenerando-os como filhos de Deus", além de ser a porta de entrada para os demais sacramentos. Por essas trilhas acompanham-se pari passu as cerimônias religiosas do batismo, casamento, sepultamento, podendo através da anotação destes notáveis termos contidos nos Livros Eclesiais, reconstituir a trajetória de uma pessoa, de uma família e de uma comunidade.
A Segunda Edição dos trabalhos Zero a Nove - Famílias Cearenses sairá em breve !!
Pirataria na INTERNET - Denuncie o plágio
A página www.familiascearenses.com.br vem sistematicamente sendo vítima de pirataria. Reformulou-se a “linguagem” e com o auxílio de um site nos EUA procura-se melhor atender aos interessados.
Chama-se a especial atenção para as edições PIRATAS de livros do Francisco Augusto de Araújo Lima, que não autorizou a uma única pessoa a reproduzir seus trabalhos genealógicos.
O Autor alerta que se não responsabiliza pelas edições Piratas, que contêm informações maldosamente deturpadas e/ou vírus.
Os trabalhos revisados, atualizados e ampliados se encontram somente nesta página www.familiascearenses.com.br para pessoas cadastradas e na 2ª Edição de todos os LIVROS que se cuida em lançar. As medidas legais para coibir o plágio estão sendo adotadas.
Em seu benefício, que desde 2006 usa os trabalhos da genealogia cearense, disponibilizados de forma gratuita, ajude a moralizar e aumentar o número de livros para a sua leitura. Denuncie o plágio.
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Genealogia das Famílias Cearenses
Esta página se destina a divulgar gratuitamente e a preservar os documentos antigos do Estado do Ceará, Nordeste do Brasil. O resgate das informações contidas nos Livros Eclesiais da Igreja Católica Apostólica e Romana, desde o ano de 1712, quando se iniciou efetivamente a colonização portuguesa na região cearense. A busca dos liames familiares, da qualificação e quantificação das raças negra, índia e branca, dos topônimos antigos, da escrita setencista, dos usos e costumes, são itens contemplados.
Além de uma genealogia de alcance geral, beneficiando de modo indistinto o rico e o pobre. Prioriza ainda disponibilizar dados que possibilitem aos interessados elaborarem suas árvores genealógicas, como culto à família e homenagem aos ancestrais.
Publicação de colaboradores
Obras de importância para a genealogia cearense como a CRONOLOGIA SOBRALENSE, em 5 volumes, do Cônego Francisco Sadoc de Araújo, estão sendo digitalizadas e farão parte do acervo a ser disponibilizado gratuitamente para os cultores dessa ciência . No momento, já se pode fazer uso do Índice Onomástico da referida Cronologia.
Generosamente a família do saudoso genealogista Raimundo Girão permitiu que sua rica, vultosa e rara bibliografia sobre o tema fosse também digitalizada e pudesse ser consultada sem ônus.
O trabalho GRANDES CAPITÃES E OS FREITAS DE LIMOEIRO, da Dra. Maria Marlúcia Freitas Santiago, estar disponível para leitura. Trata-se de uma pesquisa genealógica de profundidade, com alto índice de fidelidade a fonte primária, onde a autora coligiu a maioria das informações. Uma agradável surpresa, a técnica vestir a camisa da genealogia e abordar como ribeirinha do Jaguaribe, nuances e liames familiares de conhecimento somente de quem teve a sua vivência na rica região de Limoeiro do Norte.
Livros Raros (Downloads)
Livros raros de Genealogia Nordestina podem aqui ser consultados. Iniciou-se tal projeto com o importante trabalho de Antônio José Victoriano Borges da Fonseca, NOBILIARCHIA PERNAMBUCANA.
Última atualização ( Sex, 20 de Novembro de 2009 08:59 )